segunda-feira, 20 de maio de 2013

A decisão

Chegou do emprego e sentou-se a tomar um café, foi o primeiro dia de trabalho depois de umas férias surpreendentes.

Está sentada na habitual cadeira na cozinha, olha pela janela os que passam de um lado para o outro na rua logo em frente, vai pensando como a vida se tornou rotineira, sem ousadia, sem festa, sem argumentação. 

O companheiro entra em casa diz um olá e vai tomar banho, ela levanta-se para preparar algo para o jantar, olha em volta e não encontra o que precisa, está confusa, zanga-se com ela, está aborrecida e desiste. Passa no banheiro e diz-lhe para ele ligar para a pizzaria.

Volta para a cadeira o café vai ficando frio, pensa no seu passado ainda recente, a casa que anda a pagar o carro que lhe atribuí estatuto na vizinhança, as mobílias escolhidas com gosto e as férias anuais num país á escolha, este ano tinha acabado de passar uns dias em Portugal.

Por vezes o que parece é, tinha o que desejava para ser feliz e no entanto era uma solitária, valia-lhe os três filhos para animar a monotonia de uma de dependência sem solução.

Era mais uma que no grupo de amigas desabafava: O meu marido não esta cá e ainda bem assim não me chateia. O casamento tradicional de vinte e quatro anos que lhe deu filhos e momentos em horas certas para fazer o sexo, necessidade para o dia a dia da vida, como as idas ao supermercado ou a missa ou as pazes com ramos de rosas vermelhas era sempre o tema de conversas.

As historias começam sempre assim.

O café estava frio e as lágrimas que lhe começaram a cair também, o companheiro pediu jantar pelo telefone e entra na cozinha, "o que é que tu tens?", questiona. "Não tenho queres tu dizer, acho que nós já não nos alimentamos emocionalmente, eu não te amo".

Balbuciando os lábios, enquanto ele se mostra indiferente, senta-se em frente do computador e escreve um email.

“Vou tomar uma decisão. Aguarda-me. Beijo.”

Aguardou uns minutos e a resposta surgiu.

“Assume essa decisão. Prometo que não vou casar contigo. Nunca te irei surpreender com ramos de rosas vermelhas. O que eu desejo é que sejas feliz. Beijo.”

2 comentários:

Lacorrilha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lacorrilha disse...

Palmas para a filha, que a fotografia está maravilhosa.