sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Vidro Duplo



 
A tua cama é larga o suficiente e tu só utilizas metade.

A tua cama tem uma metade que não aquece e por via disso a almofada dessa metade não arquiva sonhos.

Estamos no Outono, ao acordares, olha por cima desse vazio a janela de vidro duplo e repara como os pingos de chuva que correm vidraça abaixo o fazem lentamente, podem ser lágrimas da minha ausência.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Cotovia


Caminhas para o quarto a desejar que amanhã o dia será soalheiro, será diferente, vais acordar e ouvir o doce cantar da cotovia, levantarás os estores, e os raios do sol aninham-se no teu corpo como beijos a lembrar os meus lábios, abres a janela e vais ver no céu azul desenhos oníricos e receberás o aroma inebriante da rosa que desabrochada oferece-te a beleza e o esplendor do que vai ser teu dia.

Pode ser um sonho de primavera, um sonho de amor!

Hoje a graciosidade da natureza, amanhã, sou eu que quero ser o teu dia.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Sentado ali para um café




Volto a delirar por alguém que apareça
Que me queira num beijo à beira praia
Fecho os olhos para que escureça
E sonho em admirar a tua saia.


Aqui, onde escrevo o que quero ler
Sentado no bambu desta esplanada
Sonho que por ali vais descer
Com sorriso  de mulher amada.


Oh… Minha praia do beijo que era meu
Dos poemas sonhados por mim trovador
Mais as palavras que o mar não esqueceu
E da lua que chora, com o solitário sonhador.
                       

domingo, 25 de setembro de 2016

Amantemente



Abraço os teus passos no areal da minha praia e sigo olhando o horizonte que me oferece o mar perfumado e me beija suavemente os pés como se o teu cabelo voltasse a tocar o meu corpo.

Amo-te, e às suaves fragrâncias que chegam com o ondular do mar, também, os sorrisos pincelados em cores ardentes que imagino em quadros pintados nas planícies da minha alma.

Sou escritor de um tempo desconhecido, de duas almas, que no pensamento se tocam amantemente.

Na minha praia só tu és quem se revela, uma história de amor que só começou.

É o mar que me inspira e a brisa me esconde, sussurra a  saudade meigamente, sempre o mar, que ondulante e emocionado me fala de ti e da essência das tulipas.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Fantasia da Vida

Vales verdes e pinhais de calor
Andorinhas e gaivotas lado a lado
O aroma é a tua graciosidade de amor
Como o mais belo poema cantado.

Tu, mulher de pele aveludada macia
Dos pés descalços felizes na areia
Moel te procura na maresia
Como o trigo que na terra se semeia.

Não me acordes fantasia da vida
Deixa que me afogue na imaginação
Que do pinhal da praia minha querida
Sejam as tábuas do meu caixão.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Praia da Leirosa



Se passeássemos de mãos dadas no areal da Praia da Leirosa, o mar não perguntava que música desejavas ouvir, ficava calmo, tranquilo, em total silêncio para que prestasses atenção as palavras que me iam saindo.


Se passeássemos de mãos dadas no areal da Praia da Leirosa, abraçava-te porque te falava de saudade, olhava os teus olhos de esperança salgada e beijava-te com pingos de maresia verde-viana.


Se passeássemos de mãos dadas no areal da Praia da Leirosa, diria que te amava, tocaria nos teus cabelos e pedia-te para sorrires em vez de lágrimas pelo que não acontece.