quinta-feira, 9 de maio de 2019

"Ferrou o galho"

 

Na casa das janelas vermelhas podemos olhar o mar, uma delas é a do teu quarto onde tomo conta de ti como quem rega uma tulipa branca todas as manhãs.

Depois saio pela rua que desce para o habitual café e troco conversa com a pedra Moel sobre o teu segredo. Eu.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Musica do mar



Ele chegou e sentou-se uma vez mais na cadeira depositada no local habitual, detrás do balcão o empregado conhecido de todos os anos, olha para ele e acenando com a cabeça confirma o café. 

Ficou à espera, foi olhando o relógio como se isso adiantasse alguma coisa, a nostalgia, essa sim, chegou à hora, cumprindo a pontualidade da tristeza. 
E caiu a tarde, os seus pensamentos eram como um filme romântico com música do mar, afinal, foi ali naquela mesa que ela lhe disse: Segredos! Eu? Sou livre a par das gaivotas, o único que tenho és tu. 
Pagou a custo o café e saiu de lágrimas nos olhos.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Perfume



Era uma tarde como outra qualquer no penedo da princesa que morreu de saudade, encontraram-se ali protegidos pelo denso nevoeiro que abraçou o automóvel escondendo-o.

Ele, olhava os seios dela feitos dunas numa erupção violenta moldada pela memória das suas mãos, a brisa, parecia suspirar com ele, misturando gemidos compassados. 

O mar parecia escarnecer da dança furiosa e carnal a inundar muito mais do que o sonho, de repente a boca dela o invade ternamente. 

Saciados, os amantes partiram pelas ruas abraçadas pelo casario da praia e saíram do automóvel para o habitual café na esplanada da rua que desce, ao ajeitar-lhe a cadeira ele murmura baixinho: Cheiras bem! cheiro a ti, respondeu ela.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Rio



Tenho um rio a meus pés que corre sereno a caminho da foz dos meus pensamentos. 

Igual aos meus passos, compassados e imaginários junto da rebentação, que sem dar conta, chegam a todos os olhares que carrego na lembrança de um fim de dia de Inverno que nunca existiu. 

Sentado aqui a ver passar o rio, escrevo um poema sem palavras, parecido com aquele que me ofereceste sem te importares se eu o perceberia ou não. 

Este é o rio onde um dia naveguei com a minha imaginação, imaginava através da escotilha e mentia-me a ouvir palavras tuas, que chegavam no vento embrulhadas na brisa como prendas perdidas na lonjura dos dias sem fim. 

Há um vazio que se sente, cheio de promessas e desejos do que nunca vivemos. 

E o tempo, sempre o malvado tempo, o mesmo que um dia nos juntou é o mesmo que nos separa, neste constante e ininterrupto martelar do relógio da minha cidade que marca a hora certa dos nossos reencontros.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Não nos voltaremos a ver


De tanto olhar secaram-se-me os olhos, o breu iluminado por poucas estrelas provocam-me e eu sou um olhar apagado no passar das noites,  deito-me do meu lado deixando o outro à tua espera, acho-me real. 

Antes que adormeça amarro o teu nome a um véu de sonhos e aí sim, mergulho em sonhos de coisa nenhuma. 

Esquece, não existe metáfora para te amar durante noite, nada calará o grito no teu leito, nada me fará beijar-te os anseios que deixas no vazio do outro lado da minha cama, acabaram-se as manhãs que nos esperavam, e as gaivotas da praia deixam de nos guardar a ternura. 

Não nos voltaremos a ver. 

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Poeira da minha alma


É isso, as tuas palavras agarradas a essa vida vivida que misturada com a minha oferece um olhar pelo opaco do vitral do tempo agora distante, é o nosso, hoje e amanha, digo-te: as minhas chagas não as curas por culpa dos teus braços curtos mas as tuas palavras sopram a poeira da minha alma o que me ajuda. O amor é fiel, o resto é abstracto.

Eu trouxe à memória o que me é macio, que me tem alimentado estes dias sobretudo à noite, aos fins-de-semana, e volto a olhar por detrás das janelas olhando o que ninguém vê. 

Sorrio, quase que deixo de sentir fome, de ti. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O que a lua via



Dediquei palavras para ti saídas da minha alma, e viajei para te surpreender, andei pelo teu interior, depois, quis ser serventia que calcavas, mesa de refeições, baloiço, bóia de mar, os teus desejos, queria que me olhasses e me abraçasses para fazer campanha com o teu sorriso.


Eras a flor, a água límpida, eras minha, usei da temperança, usei do que podia, hoje, as minhas palavras não se entendem, as noites são de sono inesgotável, a certeza da sombra é o acreditar que sim, morri, sem que soubesse o que a lua via.

domingo, 20 de janeiro de 2019

A cair nos braços um do outro


Começámos por brincar a cair nos braços um do outro, e ríamos sem nos apercebermos que estávamos a habituar as nossas almas à dor que era a separação próxima, sem hesitações, como se o céu nos fosse cair em cima, achámos que os nossos corações eram o motor da nossa vivência, eu ainda te disse que me doíam os braços as pernas e os lábios, e que, mesmo sendo o masculino, o cansaço estava a instalar-se no meu poço de medo, tu rias e caías uma e outra vez sobre o meu peito, à espera de acreditares apenas no que fosse mais imediato.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O meu amor por ti


Os meus lábios lembram-se da sensação quente que antecedeu o exacto momento do nosso primeiro beijo, recordo-me do silêncio que se foi juntando a nós à medida que a distancia entre as nossas bocas diminuía, lembro-me tão bem, havia mel selvagem nos teus lábios.

Um momento de expectativa e euforia completamente inocente, escolhemos o breu que fotografei com o meu olhar e que revisito enquanto escrevo.

Apercebo-me agora, a esta distância temporal de tantas vidas, como era já absoluto e transparente o meu amor por ti, já eras paraíso.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Uma carta ridicula de amor




Olá Mariosko, quantas vezes, enquanto a vida vai acontecendo à nossa volta, não encontramos outra escolha que é nos entregarmos à solidão, tenho-me sentido assim, em que te diria tudo o que digo a mim mesma.

Hoje cheguei a casa molhada e zangada com a vida por não me mostrar outros carreiros, outras alternativas, questiono quase tudo, duvido de tudo, parece que possuo todas as certezas e nenhuma, hoje chorei imenso no wc do emprego, como se o coração me pudesse curar, estive para te telefonar, dizer-te tudo, acabei por não o fazer e regressei a casa sufocada no meu próprio silêncio, tonto e triste.

Está um frio insuportável, a obrigar a fechar com mais força qualquer coisa indefinida que existe dentro de mim, por isso te escrevo a estas horas, para ficar mais perto, o desejo de ti é insuportável, nunca me separei dos teus afectos dos teus abraços, das tuas palavras que guardo para mim absurdamente e sonho num próximo encontro em que me vais mostrar todo o amor que tens por mim, se é que me é permitida tal presunção.

Acabei de ler do Nicholas Sparks “Dei-te o melhor de mim”, também já fizeram o filme mas ainda não vi, bem, vim para a cama em lágrimas, até soluçava, que merda de cenas que este gajo faz que me deixa sempre assim.

Beijo