quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O meu amor por ti


Os meus lábios lembram-se da sensação quente que antecedeu o exacto momento do nosso primeiro beijo, recordo-me do silêncio que se foi juntando a nós à medida que a distancia entre as nossas bocas diminuía, lembro-me tão bem, havia mel selvagem nos teus lábios.


Um momento de expectativa e euforia completamente inocente, escolhemos o breu que fotografei com o meu olhar e que revisito enquanto escrevo.



Apercebo-me agora, a esta distância temporal de tantas vidas, como era já absoluto e transparente o meu amor por ti, já eras paraíso.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Uma carta ridicula de amor




Olá Mariosko, quantas vezes, enquanto a vida vai acontecendo à nossa volta, não encontramos outra escolha que é nos entregarmos à solidão, tenho-me sentido assim, em que te diria tudo o que digo a mim mesma.

Hoje cheguei a casa molhada e zangada com a vida por não me mostrar outros carreiros, outras alternativas, questiono quase tudo, duvido de tudo, parece que possuo todas as certezas e nenhuma, hoje chorei imenso no wc do emprego, como se o coração me pudesse curar, estive para te telefonar, dizer-te tudo, acabei por não o fazer e regressei a casa sufocada no meu próprio silêncio, tonto e triste.

Está um frio insuportável, a obrigar a fechar com mais força qualquer coisa indefinida que existe dentro de mim, por isso te escrevo a estas horas, para ficar mais perto, o desejo de ti é insuportável, nunca me separei dos teus afectos dos teus abraços, das tuas palavras que guardo para mim absurdamente e sonho num próximo encontro em que me vais mostrar todo o amor que tens por mim, se é que me é permitida tal presunção.

Acabei de ler do Nicholas Sparks “Dei-te o melhor de mim”, também já fizeram o filme mas ainda não vi, bem, vim para a cama em lágrimas, até soluçava, que merda de cenas que este gajo faz que me deixa sempre assim.

Beijo

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Libaripos


Também as açucenas secas são bonitas, às vezes, inundo-me dessas plantas como se tivesse intenção de te oferecer algumas, como não gostas, aguardo que a terra drene e assim apanho uns libaripos noite adentro.

Nisto de apanhar flores já me aconteceu o corpo resvalar no bolor de uma metáfora, eu talho a alma uma falsa alma de restos de coração onde podes arrecadar o teu amor onde um dia sonhaste encontrar o meu.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Dojo



Como tantas vezes aconteceu logo a seguir ao almoço, sentei-me na pedra guarda do mar e fiquei a olhar as gaivotas que passavam de norte para sul, vieste-me ao pensamento de pernas cruzadas, não era a primeira vez que te sonhava como um dojo (peixe) e logo de água fria, mas como não chovia nem havia pescadores por ali e a paisagem estava uma profecia ancestral, adormeci e a minha consciência trouxe-me a guardiã do penedo personificada em em ti que se sentou ao meu lado. 


Sozinhos, permitiste que a tua mão direita desliza-se por dentro do meu camisolão, respirei fundo, limitando o leque de sensações, a tua maciez era muito agradável e foi com grande tristeza que acordei.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O Espelho


Cheguei cedo ou talvez fosse já tarde, bem, acho que não tenha sido capaz de descodificar o tempo onde me movia, sentei-me na pedra habitual, o mar estendia-se para além do horizonte, de repente, as correntes da maresia fluíam a minha alma, e os meus pensamentos partiam em mil destinos líquidos. 

Numa inspiração intensa os pingos de mar que subiam ao rochedo invadiram o meu corpo e a minha mão molhada direccionou-se na procura do amparo sólido do teu abraço, do teu colo fiquei a olhar o mar e a espiar-lhe os tormentos, a adivinhar-lhe os desejos, a sentir o nós que em tela húmida de veludo reflectia uma lágrima. 

Vim embora, deixei-te como sempre no mesmo sítio e trouxe o aroma do mar transbordante comigo, bebi mais um pouco da nossa essência, do penedo e da princesa e daquilo que somos juntos. 

Foi só mais uma lágrima, amor, foram muitos mais os sorrisos. 

O espelho nos devolve tudo.

domingo, 21 de outubro de 2018

Somos uma mala


Somos pessoas somos malas onde guardamos desejos, sentimentos, uns que ouvimos outros que não soubemos ouvir, malas onde arrecadamos sorrisos, tristezas e saudades, somos todos malas de sótão onde mantemos trancadas conversas que não ousamos confessar.

A vida pode-nos dizer para arrecadar a mala e seguir caminhos desconhecidos, assumir a coragem de arriscar, penetrar no escuro de um bosque desconhecendo o trilho a percorrer, mesmo que isso signifique ter medo, ouvir o bater agitado do coração, talvez estatelar-nos, magoar-nos, podemos também sorrir, retirar prazer de um novo prazer assumindo a verdadeira dimensão da desconhecida realidade.

Hoje preciso de um abraço, molhar um ombro amigo com as minhas lágrimas, quero desabafar, afirmar que não sou forte, que a minha segurança que transmito é somente a realidade que escondo de insegurança, que as minhas palavras azedas são apenas uma defesa, a aguardar o silêncio do teu abraço.

sábado, 20 de outubro de 2018

Amor por inteiro

                                 


A sensação que temos quando tudo o que dizemos parece que já o lemos em algum livro, recorda-nos que as gaivotas os papos-amarelos e os corvos repetem-se diariamente na mesma ladainha.

Posso morrer afogado em amor na praia da saudade de um penedo, também posso chegar a ti para te dar o meu coração e tu estares do teu corpo cansada.

É como as gavínias dos campos, que nascem em qualquer vala de separação, amar, também pode acontecer onde menos esperamos, o seu espaço é infinito, alma e corpo num só, por inteiro, porque o mundo tem destas sensações, onde se entra sem tocar à campainha por a porta estar aberta para quem quiser entrar.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Amo-te


Foi num instante concreto de uma tarde que por detrás de uma porta os nossos lábios se entrelaçaram no trajecto nítido da mesma palavra.

A sonoridade tangível, os movimentos desacertados dos lábios, materializaram, ali mesmo, frente a frente, naquele local, na hora certa, o que sonhávamos ver.

Concretizou-se, aconteceu, sim. Para perdurar como bruma que nos deslumbra a vida e que habita entre e dentro da nossa alma.

O mistério que a tua mão provoca na minha é estranhamente intenso, é a matriz do tempo misterioso que os relógios guardam escondidos para nós, gosto de o dizer assim.

Dessa tarde de que aqui escrevo e que se vai cruzando com outras tardes, recordo o aglomerado de destinos cintilantes que vivi e pensei serem iluminados num trajecto seguro de lábios na rota de uns e outros , todos nascendo da mesma palavra.