sábado, 11 de maio de 2013

O Supervisor de cafés


Combinaram encontrar-se em São Pedro de Moel. Ele chega primeiro ela uns minutos depois, sorriem e abraçam-se. Estás muito bem gosto do vestido, começa ele enquanto caminham para o café na rua que desce, foi ele que escolheu, entram, o café está quase lotado, escolhem uma de duas mesas que sobram e só há aquelas.

Ela tinha-lhe dito ao telefone que o companheiro é de facto o homem da sua vida. Ele acha estranho. O facto é que ela aceitou encontrar-se ali para conversarem, são amigos e já não se viam a algum tempo. Como é que tu estás? questiona ela, estás bem?, ao telefone deste-me a sensação de estares ansioso.

Enquanto lhes servem um café e um chá, ele olha-a e fala-lhe de uma situação que se vai passando com um amigo. Convidaste-me para falares de um amigo!, lembra ela intrigada. Acho que te devo falar assim, não te preocupes e ouve o que tenho para te contar.

Tenho um amigo em Coimbra que lhe aconteceu algo de extraordinário, diz ele.

Começa a contar e ela olha-o admirada. Ele, o meu amigo, trabalha numa empresa de distribuição de sinal de televisão e tem uma colega na secretaria com quem se dá muito bem, são amantes. Amantes! Interrompe ela. Sim, amantes são pessoas que se amam. Por acaso é uma história gira, opina ele enquanto ela lhe mostra estar com atenção ao desenrolar da conversa.

Contou-me o meu colega que, os olhares, os sorrisos, os pequenos e disfarçáveis toques abundavam entre eles. São comprometidos, mas as histórias começam sempre assim. Achei piada porque ele tinha de arranjar solução para estar com ela, foi então, que engendrou um plano.

Foi a casa dela e desligou o sinal de televisão, ela na hora de almoço notou isso e na empresa pediu ao chefe que mandasse o técnico ver o que se passava. Era o que ele desejava. A meio da tarde ele apareceu e disse-lhe que a avaria seria no interior da residência, o chefe, autorizou-a a acompanhar o meu colega a ir lá a casa para debelar a suposta avaria. Uma vez dentro de casa ele revelou o plano e mandou-a fechar os olhos. Ela fechou.

Depois saíram em direcção a um bar que ficava próximo à sede da empresa, e enquanto falavam entre murmúrios e sorrisos entrou um rapaz conhecido dele, é supervisor de cafés, não se cumprimentaram.

Ontem estive com ele e estava em baixo porque ela saiu para outro emprego e assim os encontros terminaram, eu compreendo-o, sofrer de amor é doer a alma.

Parece-me que essa história é mais um episódio na tua vida!, desafiou ela acabando o chá. Acertas-te. Então tu já foste amante, provoca ela. Ele olhou para ela e carinhosamente foi-lhe tocando com as pontas dos dedos a face, e olhando-a nos olhos, respondeu:

Eu nunca fui outra coisa.

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